PAM-CE, iniciativa fundamental

O Plano de Auxílio Mútuo de Campos Elíseos (PAM-CE) tem importância fundamental no conjunto de ações relacionadas à segurança do Polo Petroquímico de Campos Elíseos. Suas atividades são regidas por um estatuto próprio e por procedimentos que estão de acordo com um padrão internacional. Além disso, contam com uma coordenação específica, formada por representantes das empresas do Polo e eleita anualmente. Esse grupo se mantém integrado por meio de reuniões periódicas e outras iniciativas essenciais às rotinas do PAM-CE.

Para que as ações alcancem o êxito esperado, fazem parte dos procedimentos operacionais do PAM-CE algumas práticas que devem ser seguidas tanto na realização de exercícios simulados de emergência como em situações de emergências reais. Para isso, o sistema de comunicação tem importância central, juntamente com outros recursos assegurados pelas empresas integrantes da ASSECAMPE.

Exercícios, práticas permanentes

Os exercícios simulados são realizados mensalmente e têm como principal objetivo o aperfeiçoamento permanente das ações de resposta às emergências agravadas, no âmbito das empresas integrantes do PAM-CE. A fim de reproduzir as condições de uma emergência real, na medida do possível, as atividades têm como cenários as instalações das empresas.

Com o objetivo de se aproximar o máximo possível de uma situação real, no exercício simulado de emergência a empresa sinistrada solicita a ajuda das outras participantes do PAM-CE. Seguindo procedimentos operacionais, a solicitação de auxílio deve ser efetuada por meio de uma das Centrais de Atendimento de Emergência (CAE), que, por sua vez, aciona as demais empresas de acordo com prioridade previamente definida.

Seguindo padrões de atuação estabelecidos, os recursos oferecidos pelas empresas acionadas são deslocados para o ponto de reunião (PR) da empresa demandante, onde o coordenador da emergência (CEM), funcionário da empresa sinistrada, repassa instruções. Caso considere necessário, o coordenador define eventuais ações externas de resposta à emergência, juntamente com o oficial do 14º GBM e com o membro da Coordenação Municipal de Defesa Civil.

Desde a criação do PAM-CE, mais de 70 exercícios simulados de emergência já foram realizados. As atividades, acompanhadas por pelo menos dois avaliadores, além de gerarem relatórios que contribuem para debates nas reuniões mensais, são filmadas e fotografadas. Assim, esse importante acervo de informações fica como fonte de consulta permanente e pode contribuir para o aperfeiçoamento de eventos futuros.

Comunicação, palavra-chave

Para casos de emergência agravada ou exercício simulado, bem como na rotina de testes periódicos, o PAM-CE conta com um sistema de comunicação considerado essencial às suas práticas.

Desde 1995, o sistema passou por avanços significativos. A partir daquele ano, a comunicação passou a ser realizada por meio de uma faixa exclusiva de rádio (sistema trunk), aproveitando a central de rádio e a rede em operação na REDUC. Assim, cada empresa conta com dois rádios portáteis, adquiridos por meio de contrato de locação para uso exclusivo em situações que demandem a atuação do PAM-CE.

Antes disso, a comunicação entre os participantes era efetuada por intermédio de telefone convencional, enfrentando muitas dificuldades operacionais. Telefones ocupados, demora no atendimento e desconhecimento dos atendentes sobre os procedimentos levavam à baixa confiabilidade das ações de resposta em caso de necessidade de acionamento e comprometiam a atuação do PAM-CE, em geral.

Memória da consolidação do PAM de Campos Elíseos

Em 1991, começou a ganhar força entre as empresas do Polo Industrial de Campos Elíseos a ideia de implementação de um Plano de Auxílio Mútuo (PAM), como parte do processo APELL. Pretendia-se, assim, estender ao polo em geral uma prática comum entre algumas indústrias locais.

Assim, a estruturação ocorreu no âmbito da Subcomissão de Planos de Emergência e Análise de Risco. O trabalho começou com a avaliação dos planos existentes e os recursos disponíveis nas empresas. Em 1992, foi elaborada a primeira proposta formal de criação do PAM de Campos Elíseos (PAM-CE), mas a sua implantação ocorreu somente em 1993. Foram signatárias as seguintes empresas: BRASPOL (atual POLIBRASIL), COPAGAZ, TRANSPETRO/PETROBRAS, ESSO, MINASGÁS, NITRIFLEX, NORTEGÁS BUTANO (atual NACIONAL BUTANO), PETROFLEX, REDUC/PETROBRAS, TEXACO e SUPERGASBRAS. Posteriormente, foram integradas a IPIRANGA, a PETROBRAS DISTRIBUIDORA e a SHELL.

Também participam do PAM de Campos Elíseos, desde a sua fundação, o 14º Grupamento de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (14º GBM – Duque de Caxias) e a Coordenação de Defesa Civil do Município de Duque de Caxias.

Atuação do PAM-CE no acidente da PETROFLEX

Durante um incêndio ocorrido em março de 1998, na área de armazenagem de butadieno da PETROFLEX, o PAM-CE teve uma participação decisiva. Na ocasião, houve a explosão de um vaso de lavagem cáustica de butadieno, que levou ao rompimento de várias tubulações e válvulas próximas, provocando, assim, diversos focos de vazamento de gás sem possibilidade de bloqueio. Esses focos se transformaram em jatos de fogo bastante intensos.

O PAM-CE foi acionado em razão da gravidade da situação e a disponibilidade de recursos adicionais foi fundamental para que a PETROFLEX pudesse, em um prazo de tempo relativamente curto, controlar o acidente. Cerca de 60 pessoas estiveram diretamente envolvidas no combate ao incêndio, enquanto outras 50 participaram de atividades de apoio e coordenação.

A situação mais crítica, caracterizada pelo jato de fogo incidindo sobre a esfera de gás, foi controlada pela contraposição de jatos de água. Ao mesmo tempo, era realizado o resfriamento das instalações próximas, principalmente os tanques de estocagem.

Além de aproximadamente 22 milhões de litros de água, foram incluídos entre outros recursos utilizados nesta emergência cinco bombas d’água de combate a incêndio, quatro caminhões autobomba e 20 canhões monitores.